Nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro, a Renovação Carismática relembra e comemora um fato marcante de sua história. Há quarenta anos, em 1967, um grupo de professores e alunos da Universidade de Duquesne, nos EUA, participou de um retiro espiritual, protagonizando um dos acontecimentos religiosos mais impressionantes e significativos na vida recente da Igreja.Naqueles dias, ecoava ainda no coração de toda uma geração de filhos da Igreja o convite do Papa João XXIII para uma ampla reforma eclesial que culminou com o Concílio Ecumênico Vaticano II e que trouxe consigo o desejo e a realização de um novo Pentecostes para todo o povo de Deus.Foi neste contexto e inspirando-se, ainda, no modelo de vida das primeiras comunidades cristãs – quando cheios do Espírito Santo (At 2,1-12), os seguidores de Jesus, “na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42), testemunhavam o cumprimento de sua promessa: “quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores” (Jo 4,12) – que aquele grupo de Duquesne buscou e experimentou um novo vigor para anunciar com coragem e determinação o Evangelho.Para além do caráter festivo e com uma consciência muita clara de que devemos aproveitar “ciosamente o tempo” (Ef 5,15b), pensamos em comemorar o 40º. aniversário da RCC durante todo 2007. Neste ano, o evento de Duquesne praticamente coincide com uma das festas mais populares de nosso país, o Carnaval. Nos próximos dias, como já fazemos há muitos anos durante este período, estaremos realizando o que desta vez denominamos de “Festa das Tendas”, que tem como inspiração o Evangelho de João 7,37-39: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba”.Alegramo-nos em comunicar-lhes que, acompanhando a mobilização que foi realizada em todos os Estados em torno desta Festa, já podemos afirmar que as expectativas foram amplamente superadas. Temos notícias da realização de centenas de eventos, com milhares de missionários, proporcionando que milhões de brasileiros possam acolher Jesus em seus corações e, assim, encontrar-se com a verdadeira felicidade que o mundo não pode oferecer.Resta-nos, portanto, animar, exortar e lembrar a todos os envolvidos nestes dias, com um propósito tão elevado, em especial, aos coordenadores estaduais, diocesanos, equipes de serviço e missionários, que, por graça de Deus, estamos participando de momentos ricos na história da RCC.Desejamos e é também nossa oração, que em todos os lugares onde estivermos anunciando a Palavra de Deus, nestes dias, possa nossa pregação ser acompanhada de conversões e dos “sinais” previstos no Evangelho (cf. Mc 16,15); acontecendo, assim, um grande despertar espiritual em todo o nosso Brasil.Que o Senhor nosso Deus nos abençoe com toda a sorte de graças e que Maria, nossa Mãe, interceda por cada um de nós.
Como tudo começou
Em 25 de janeiro de 1959, o papa João XXIII, poucos meses depois de sua eleição, deixou o mundo surpreso, ao anunciar e convocar o Concilio Ecumênico Vaticano II. “Renova nestes dias as tuas maravilhas, como de um novo Pentecostes”, invocou o papa João na abertura do Concílio. De fato, o Concílio foi uma volta ao Cenáculo, local onde os apóstolos haviam vivido as maravilhas operadas pelo Espírito Santo, pois a partir daquele dia, “os ossos áridos” de que fala o profeta Ezequiel, “moveram-se de volta à vida”.
O papa João XXIII morreu antes do fim do Concílio em 1963; seu sucessor, Paulo VI continuou os trabalhos até o encerramento, solenemente realizado em 8 de dezembro de 1965.
Não havia passado um ano do término do Concílio, quando despontou o fenômeno religioso que agora é chamado “ Renovação Carismática Católica ”.
No outono de 1966, na Universidade de Duquesne (EUA), vários professores, estudantes, religiosas e sacerdotes católicos, reuniam-se frequentemente para momentos de oração fervorosa. Eram pessoas que há muitos anos dedicavam-se ao serviço de Cristo, mas que no fundo sentiam um vazio, como se lhes faltasse algo. Surgiu então uma pergunta: "Como é possível que estejamos tão longe da experiência da realidade do Espírito Santo ? Por quê não vemos mais os sinais do poder do Senhor ?” Dão-se então conta de que o cristianismo não é uma filosofia, não é apenas adesão a um credo, mas é Vida, e Vida Sobrenatural, participação na própria vida de Cristo ressuscitado. E que esta vida é difundida em nossos corações pelo Espírito Santo. Foi quando caiu-lhes nas mãos o livro A Cruz e o Punhal, de autoria de David Wilkerson, em que o autor fala de seu apostolado entre drogados e marginais de Nova York e conta como o Espírito Santo operou conversões e curas no meio daqueles jovens.
Conscientes de que a força dos cristãos primitivos estava na vivência do Espírito Santo no Pentecostes, aplicaram-se a ler e meditar os Atos dos Apóstolos, pedindo a Efusão do Espírito. Reuniam-se para louvar o Senhor e os dons do Espírito Santo começaram a se manifestar, transformando suas vidas.
As reuniões foram se sucedendo e, de 17 a 19 de janeiro de 1967, um grupo de 30 pessoas realizou um retiro de fim-de-semana, o “retiro de Duquesne”: suas orações foram atendidas através da manifestação do Espírito Santo e da transformação interior de cada um. “Eu não creio no Pentecostes, eu o vi”, disse um dos participantes. Muitos dos presentes sentiram em si uma vida nova, sentiram-se invadidos por uma profunda paz e alegria, um entusiasmo e um desejo incontido de dar testemunho de Cristo.
Em pouco tempo o movimento da Renovação Carismática Católica propaga-se em outras universidades americanas, no País inteiro, transpõe oceanos e alastra-se em quase todas as nações do mundo.
“João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo”. (Atos 1,5)
“E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus”. (Atos 4, 31)
Nenhum comentário:
Postar um comentário