VOCAÇÃO: O SENTIDO DE NOSSA VIDA!
Clóvis Albuquerque
Acredito que a vocação à santidade, bem como a nossa vocação específica, é, sem margem de dúvidas, o sentido de nossa vida. Alguns nascem predestinados, desde o seio materno, como escreve Jeremias. Outros, ainda, percebem ou recebem o chamado depois de experimentar a dureza da vida e o encontro determinante com Jesus, assim como Mateus, o cobrador de impostos.
Quando o jovem se depara com o “porquê” de sua existência e, ainda que relutante, se põe a caminhar, é natural que aconteçam erros no percurso vocacional. A vocação é dom gratuito de Deus, mas não se pode esquecer que o Bom Deus a concede a pessoas humanas, cheias de falhas, imperfeitas e, impregnadas com o odor do pecado.
Quando, em sua peregrinação terrestre, Jesus escolheu os seus discípulos, tirou-os do meio do povo. Diz o evangelista Marcos: “e chamou os que Ele quis...”, pessoas simples e pobres, marcadas, profundamente, pela sua limitação humana. Eram eles: cobradores de impostos, pescadores rudes, analfabetos, entre outros que eram marginalizados pela sociedade em geral. Ninguém acreditava neles nem eles mesmos.
Também estes homens, embora convivessem com o Mestre, tocassem suas vestes, ouvissem seus ensinamentos perfeitos, contemplassem os seus milagres extraordinários, também eles erraram no percurso; caíram muitas vezes. Jesus testemunhava a doação e oblação de si mesmo, era chamado o servo dos servos, eles achavam que governariam a terra e quando não era a terra, disputavam o lugar mais próximo do trono do Altíssimo; Jesus ofereceu a cruz como sinal e condição do seu segmento, eles, no entanto, fugiram ao verem o Mestre carregando a sua.
O que impressiona na história vocacional destes homens é o fato de que Jesus, perscrutando o seu íntimo, conhecendo-os mais que eles mesmos, continuava acreditando neles, fazendo, desta forma, a perfeita animação vocacional.
Depois de ressuscitado, aparece-lhes e confere-lhes o “poder” do Espírito, a autoridade de governar a Igreja e se submete as suas vozes e ações para chegar aos mais necessitados.
Jesus os conhecia muito bem. Sabia que eles eram medrosos e covardes. Ele mesmo provara e sentira na pele estas características dos seus seguidores no Monte das Oliveiras e no Calvário. E, aí é que está a beleza: ainda assim, JESUS ACREDITAVA NELES!
O vocacionado, ainda que errando no percurso e caindo muitas vezes, é alguém chamado por Deus para levar a Boa Nova do Reino e, portanto, tem uma missão universal e, ao mesmo tempo, única. Seu chamado é divino, é de autoria divina. Deus mesmo o chama, perscruta o seu íntimo e, ainda sim, acredita nele.
Um outro aspecto é a presença de Deus em sua vida e a confirmação desta em suas obras e ações realizadas por Jesus e com Jesus. O vocacionado, desta forma, torna-se, apenas, canal da graça de Deus; o “burrinho” que carrega o Mestre e o leva para todos que dele precisarem.
Aqueles que são responsáveis pelo acompanhamento vocacional deveriam, a cada dia e instante, almejar a sabedoria de Cristo, bem como sua misericórdia e humildade.
A formação dada por Jesus a seus discípulos e esperada por todos os vocacionados, é baseada no AMOR, na MISERICÓRDIA e no PERDÃO. Espera-se dos formadores compreensão em suas atitudes, amor nas suas ações, misericórdia em suas decisões e perdão a cada recomeço. Estas foram as características da formação amorosa e eficaz do Mestre Jesus.
O sentido de nossas vidas, não deve ser ofuscado nem sufocado pela formação imprópria e nem abandonado por um erro de percurso.
O que seria da Igreja se o Mestre não desse mais uma chance a Pedro, não acreditasse em João, não amasse Mateus?
segunda-feira, 12 de março de 2007
Vocação: O Sentido das nossas Vidas
VIsão de Bento XVI sobre a RCC
A volta do Espírito
Visão do Papa sobre a Renovação Carismática
Em entrevista concedida pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, ao jornalista italiano Vittorio Messori, foi tratado o tema da Renovação Carismática.V. Messori: Hoje, observo eu, processa-se uma redescoberta do Espírito Santo, talvez esquecido demais pela teologia ocidental. É uma redescoberta não apenas teórica, mas que envolve crescente massas populares nos movimentos chamados "Renovação carismática" ou "Renovação do Espírito".Cardeal Ratzinger: "De fato. O período pós-conciliar pareceu corresponder bem pouco às esperanças de João XXIII, que esperava um novo Pentecostes. Sua oração, entretanto, não ficou sem resposta no coração de um mundo feito árido pelo ceticismo racionalista, nasceu uma nova experiência do Espírito Santo que assumiu a amplidão de uma moção de renovação em escala mundial. Tudo o que o Novo Testamento escreve a propósito dos carismas que apareceram como sinais visíveis da vinda do Espírito Santo não é mais história antiga apenas, encerrada para sempre: essa história torna-se hoje vibrante de atualidade. Não é por acaso, em confirmação de sua visão do Espírito como antítese do demoníaco, que, enquanto uma teologia reducionista trata o Demônio e o mundo dos espíritos maus como uma mera etiqueta, no contexto da Renovação surgiu uma nova e concreta tomada de consciência das Potências do mal, unida, bem entendido, à serena certeza da Potência de Cristo, que a todas submete. É preciso antes de tudo salvaguardar o equilíbrio, evitar uma ênfase exclusiva sobre o Espírito, que, como lembra o próprio Jesus, “não fala por si mesmo”, mas vive e age no interior da vida trinitária. Semelhante ênfase poderia levar a opor, a uma Igreja organizada sobre a hierarquia (fundamentada, por sua vez, em Cristo), uma outra Igreja “carismática”, baseada apenas na “liberdade do Espírito”, uma Igreja que se considere a si mesma como “acontecimento” sempre renovado. Salvaguardar o equilíbrio significa também o justo relacionamento entre instituição e carisma, entre fé comum na Igreja e experiência pessoal. Uma fé dogmática sem experiência pessoal permanece vazia; uma mera experiência sem ligação com a fé da Igreja é cega. Enfim, não é o “nós” do grupo que conta, e sim o grande “nós” da Igreja universal. Só esta pode oferecer o contexto adequado para “não extinguir o Espírito e manter o que é bom”, segundo a exortação do Apóstolo.Além disso, para atingir os últimos recônditos dos riscos, é preciso precaver-se de um ecumenismo fácil demais, pelo qual grupos carismáticos católicos podem perder de vista a sua unidade e ligar-se de modo acrítico a formas de pentecostalismo de origem não católica, em nome exatamente do “Espírito”, visto como oposto à instituição. Os grupos católicos da Renovação no Espírito devem, pois, mais do que nunca "sentire cum Ecclesia”, agir sempre em comunhão com o bispo, também para evitar os danos que surgem toda vez que a Escritura é desenraizada do seu contexto comunitário: o fundamentalismo, o esoterismo e o sectarismo.Certamente [a Renovação no Espírito] trata-se de uma esperança, de um positivo sinal dos tempos, de um dom de Deus para a nossa época. É a redescoberta da alegria e da riqueza da oração contra a teoria e práxis sempre mais enrijecidas e ressecadas no tradicionalismo secularizado. Eu mesmo constatei pessoalmente a sua eficácia: em Munique, algumas boas vocações ao sacerdócio vieram-me do movimento. Como em todas as realidades entregues ao homem, dizia eu, também esta é exposta a equívocos, a mal-entendidos e a exageros. O perigo, porém, seria ver apenas os riscos, e não o dom que nos é oferecido pelo Espírito. A necessária cautela não muda, portanto, o juízo positivo do conjunto."Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI)Do livro A FÉ EM CRISE? Pg. 116/7 – Ed. E.p.u. – 1985 Sobre a Renovação Carismática Católica.
Cardeal Ratzinger
domingo, 4 de março de 2007
Renovação Carismática Católica - 40 anos
Nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro, a Renovação Carismática relembra e comemora um fato marcante de sua história. Há quarenta anos, em 1967, um grupo de professores e alunos da Universidade de Duquesne, nos EUA, participou de um retiro espiritual, protagonizando um dos acontecimentos religiosos mais impressionantes e significativos na vida recente da Igreja.Naqueles dias, ecoava ainda no coração de toda uma geração de filhos da Igreja o convite do Papa João XXIII para uma ampla reforma eclesial que culminou com o Concílio Ecumênico Vaticano II e que trouxe consigo o desejo e a realização de um novo Pentecostes para todo o povo de Deus.Foi neste contexto e inspirando-se, ainda, no modelo de vida das primeiras comunidades cristãs – quando cheios do Espírito Santo (At 2,1-12), os seguidores de Jesus, “na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42), testemunhavam o cumprimento de sua promessa: “quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores” (Jo 4,12) – que aquele grupo de Duquesne buscou e experimentou um novo vigor para anunciar com coragem e determinação o Evangelho.Para além do caráter festivo e com uma consciência muita clara de que devemos aproveitar “ciosamente o tempo” (Ef 5,15b), pensamos em comemorar o 40º. aniversário da RCC durante todo 2007. Neste ano, o evento de Duquesne praticamente coincide com uma das festas mais populares de nosso país, o Carnaval. Nos próximos dias, como já fazemos há muitos anos durante este período, estaremos realizando o que desta vez denominamos de “Festa das Tendas”, que tem como inspiração o Evangelho de João 7,37-39: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba”.Alegramo-nos em comunicar-lhes que, acompanhando a mobilização que foi realizada em todos os Estados em torno desta Festa, já podemos afirmar que as expectativas foram amplamente superadas. Temos notícias da realização de centenas de eventos, com milhares de missionários, proporcionando que milhões de brasileiros possam acolher Jesus em seus corações e, assim, encontrar-se com a verdadeira felicidade que o mundo não pode oferecer.Resta-nos, portanto, animar, exortar e lembrar a todos os envolvidos nestes dias, com um propósito tão elevado, em especial, aos coordenadores estaduais, diocesanos, equipes de serviço e missionários, que, por graça de Deus, estamos participando de momentos ricos na história da RCC.Desejamos e é também nossa oração, que em todos os lugares onde estivermos anunciando a Palavra de Deus, nestes dias, possa nossa pregação ser acompanhada de conversões e dos “sinais” previstos no Evangelho (cf. Mc 16,15); acontecendo, assim, um grande despertar espiritual em todo o nosso Brasil.Que o Senhor nosso Deus nos abençoe com toda a sorte de graças e que Maria, nossa Mãe, interceda por cada um de nós.
Como tudo começou
Em 25 de janeiro de 1959, o papa João XXIII, poucos meses depois de sua eleição, deixou o mundo surpreso, ao anunciar e convocar o Concilio Ecumênico Vaticano II. “Renova nestes dias as tuas maravilhas, como de um novo Pentecostes”, invocou o papa João na abertura do Concílio. De fato, o Concílio foi uma volta ao Cenáculo, local onde os apóstolos haviam vivido as maravilhas operadas pelo Espírito Santo, pois a partir daquele dia, “os ossos áridos” de que fala o profeta Ezequiel, “moveram-se de volta à vida”.
O papa João XXIII morreu antes do fim do Concílio em 1963; seu sucessor, Paulo VI continuou os trabalhos até o encerramento, solenemente realizado em 8 de dezembro de 1965.
Não havia passado um ano do término do Concílio, quando despontou o fenômeno religioso que agora é chamado “ Renovação Carismática Católica ”.
No outono de 1966, na Universidade de Duquesne (EUA), vários professores, estudantes, religiosas e sacerdotes católicos, reuniam-se frequentemente para momentos de oração fervorosa. Eram pessoas que há muitos anos dedicavam-se ao serviço de Cristo, mas que no fundo sentiam um vazio, como se lhes faltasse algo. Surgiu então uma pergunta: "Como é possível que estejamos tão longe da experiência da realidade do Espírito Santo ? Por quê não vemos mais os sinais do poder do Senhor ?” Dão-se então conta de que o cristianismo não é uma filosofia, não é apenas adesão a um credo, mas é Vida, e Vida Sobrenatural, participação na própria vida de Cristo ressuscitado. E que esta vida é difundida em nossos corações pelo Espírito Santo. Foi quando caiu-lhes nas mãos o livro A Cruz e o Punhal, de autoria de David Wilkerson, em que o autor fala de seu apostolado entre drogados e marginais de Nova York e conta como o Espírito Santo operou conversões e curas no meio daqueles jovens.
Conscientes de que a força dos cristãos primitivos estava na vivência do Espírito Santo no Pentecostes, aplicaram-se a ler e meditar os Atos dos Apóstolos, pedindo a Efusão do Espírito. Reuniam-se para louvar o Senhor e os dons do Espírito Santo começaram a se manifestar, transformando suas vidas.
As reuniões foram se sucedendo e, de 17 a 19 de janeiro de 1967, um grupo de 30 pessoas realizou um retiro de fim-de-semana, o “retiro de Duquesne”: suas orações foram atendidas através da manifestação do Espírito Santo e da transformação interior de cada um. “Eu não creio no Pentecostes, eu o vi”, disse um dos participantes. Muitos dos presentes sentiram em si uma vida nova, sentiram-se invadidos por uma profunda paz e alegria, um entusiasmo e um desejo incontido de dar testemunho de Cristo.
Em pouco tempo o movimento da Renovação Carismática Católica propaga-se em outras universidades americanas, no País inteiro, transpõe oceanos e alastra-se em quase todas as nações do mundo.
“João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo”. (Atos 1,5)
“E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus”. (Atos 4, 31)
Assinar:
Postagens (Atom)