Novos vícios: “consumismo”
Amigos, a paz!!!
Depois desta breve introdução, vamos agora refletir sobre esses novos vícios “capitais”. Lembro que o núcleo desta análise não é minha, mas do filósofo e pscicólogo italiano Umberto Galimberti, que leciona na Universidade de Veneza. Vou apenas ao longo da exposição, transcrevê-la numa linguagem mais clara e aplicar alguns exemplos práticos.
Começamos com uma pergunta: por que o consumismo é um vício? uma vez que consumo gera produção, e aumento da produção ajuda o crescimento que todos os países assumem como fator de bem-estar, ficando até alarmados quando esse indicador oscila perto de zero?
Por que o consumismo é vício, se coloca ao alcance de todos uma série de escolhas pessoais que, algum tempo, eram reservadas somente aos ricos, uma variedade de alimentos, que os nossos velhinhos nem sonhovam, vestimentas, uma série infinita de eletrodomésticos que reduzem o cansaço em casa, acasionando tempo, inclusive para outras atividades, como falar mais ao telefone, “falar” com o vizinho?
Então, por que o consumismo é um vício, vc me perguntaria?
Meus amigos, muita calma nesta hora, vamos devagar, leia com atenção e vejamos as coisas um pouco mais de perto.
1) O círculo produção-consumo: dois aspectos de um mesmo processo.
Os produtos são produzidos para satisfazer uma necessidade, mas… são produzidas também, necessidades para garantir a continuidade da produção dos produtos. E quem cuida disso é a publicidade. Não é o que dizem: “a publicidade é a alma do negócio!“.
Pois bem, a publicidade nos “convida” de forma explicita para que renunciemos aos abjetos que já possuímos e, que talvez, ainda prestem um bom serviço, porque, neste meio tempo, surgiram outros, “que não podemos deixar de ter”. Então perceba, numa sociedade como a nossa, na qual a identidade de cada um está ligada aos objetos que possui, os quais não apenas são substituíveis, como também “devem” ser substituídos, toda publicidade é um apelo à destruição. Ex.: celular. No Brasil já são mais de 100 milhões de usuários. Alguns chegam possuir de 3 à 6 aparelhos e, estão sempre, “ligados” às novidades do mercado.
2) Princípio de destruição: mas se a palavra parece forte, então vamos chamá-la de “consumo”.
Hoje os produtos fabricados são obsoletos. Já tem data para acabar. E nesse processo, a produção econômica usa os consumidores como seus “aliados” para garantir a mortalidade de seus produtos, que aliás, é o que garante a pemanência da empresa no mercado ou seja, garante a sua imortalidade.
E essa data de validade, é necessária que seja o mais breve possível. O fim das coisas é projetado desde o início, como seu objetivo. Ex.: carros, televisores, eletrodomésticos e etc. Por isso, as peças de reposição, tem um custo tão elevado, que mesmo pequenos consertos venham a custar, se não mais, pelo menos o equivalente a uma nova compra.
E se a mercadoria, um carro, por exemplo, estiver em bom estado? mesmo assim, dizem ELES, é preciso trocar porque é socialmente inadequado. Mas talvez você numa situação dessa continuasse resistente, não tem problema!. O consumismo utiliza várias estratégias de convencimento. Uma delas é a moda, para se opor a resistência de modo a tornar aquilo que é materialmente utilizável, socialmente inutilizável (está fora da moda!), é nescessário ser substiuído.
Isso não vale apenas para inovações tecnológicas, como computadores, aparelhos de som, de video ou, guarda-roupas feminino (aliás, atualmente, também masculino), mas inclusive, para armamentos. É a chamada indústria da guerra. Se um armamento fica inutilizável por falta de guerra, dá-se alguma razão humanitária e pronto: temos mercado consumidor. Basta ver o que acontece no Iraque e em outros países. Mas agora, vem o mais importante, preste bem atenção!!!
3) A crise de identidade pessoal: quais são os efeitos da cultura do consumismo sobre a
Novos vícios: “Conformismo”
Amigos, a paz!!!
Ao final da nossa última reflexão, afirmamos que neste mundo onde nada é durável, nasce o segundo vício capital que é o Conformismo.
“A ninguém é dada a possibilidade de escolher para si a época em que viver, nem a possibilidade de viver sem a época em que nasceu; não existe homem que não seja filho do seu tempo e, portanto, de alguma maneira homologado (aprovado, confirmado, conformado)”.
Acontece, porém, que, em relação às épocas que a precederam, a nossa época é a primeira a pedir a homologação de todos os homens como condição de sua existência. Portanto, não uma homologação como dado de fato, mas uma homologação de princípio, cujas razões são procuradas naquela condição pela qual, na idade da técnica e da economia global, em que nos encontramos, trabalhar significa colaborar, dentro de um aparato em que as ações de cada um já estão antecipadamente descritas e prescritas pelo organograma para o bom funcionamento do próprio aparato.
Então, uma consciência homologada é aquela que está conforme à uma norma que prescreve. Portanto, não uma ação, mas uma conform-ação, à qual se pede apenas uma boa qualidade de colaboração, independente dos objetivos que são de competência do aparato. É daí que nasce uma consciência conformista, ou seja, é o apenas “deve ser feito“. Um exemplo, é o que acontece nas fábricas de automóveis.
Desde criança, aprendemos que o que vale é a uniformidade, onde a capacidade de adaptação à organização aparecia como única condição para exercer uma certa influência sobre ela. Isso faz que o mundo da técnica e da economia global, não seja percebido como um dos possíveis mundos, mas como único mundo, fora do qual não existem melhores possibilidades de existência.
Falamos então, de “ilusão” e não de “liberdade“, porque só se pode falar de liberdade quando existe uma escolha entre diversos cenários, entre mundos possíveis, e não no interior de um único mundo, entre os produtos dos quais somos abastecidos diarimente, sem interrupção. Os “Meios de Comunicação“, são os grandes responsáveis pela conformação geral. Eles são o único “monólogo coletivo“, que fala pra gente a sequência que temos que seguir. Chamamos isso, de “miséria psicológica da massa“. “A gente de tem que se adaptar, é o que dizem!”.
E aqui está o detalhe, quem não se adapta é considerado inferior. A pessoa cai numa espécie de patologia - enfermidade. Porque ser saudável é ser igual, é massificar-se.
Tadavia, os romamos diziam que a “história é a mestra da vida“. Paradoxalmente, podemos afirmar que, exatamente por isso, os regimes absolutos desmoronaram, porque a coerção que exerciam, embora brutal, não tinha capacidade para excluir outras possibilidades de vida.
Uma vez que a técnica e a economia global que a mantém não permitem outros mundos possíveis, podem deixar de lado a coerção e obter espontaneamente aquele sacrifício do indivíduo que, em épocas passadas, era o traço dos mártires, dos heróis e das próprias massas revolucionárias que se recusavam a ficar conformadas. Em sua recusa existia a indicação de outra possibilidade de vida, de “novos céus e novas terras“, que, ao contrário, não se dá na idade da técnica e da economia global fora de seu recinto, mesmo que em seu interior não proibida, aliás é solicitada, a possibilidade de continuar repetindo o vocabulário do indivíduo.
“Fala sério, é proibido ser diferente???”
Bem, meus amigo, consumismo e conformismo colocaram em circulação um novo vício que, por comodidade, chamamos de “Despudor“. Mas essa será a nossa próxima reflexão. Até lá!!!
Pe. Hamilton Nascimento - CN.
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