segunda-feira, 12 de março de 2007

Vocação: O Sentido das nossas Vidas

VOCAÇÃO: O SENTIDO DE NOSSA VIDA! Clóvis Albuquerque Acredito que a vocação à santidade, bem como a nossa vocação específica, é, sem margem de dúvidas, o sentido de nossa vida. Alguns nascem predestinados, desde o seio materno, como escreve Jeremias. Outros, ainda, percebem ou recebem o chamado depois de experimentar a dureza da vida e o encontro determinante com Jesus, assim como Mateus, o cobrador de impostos. Quando o jovem se depara com o “porquê” de sua existência e, ainda que relutante, se põe a caminhar, é natural que aconteçam erros no percurso vocacional. A vocação é dom gratuito de Deus, mas não se pode esquecer que o Bom Deus a concede a pessoas humanas, cheias de falhas, imperfeitas e, impregnadas com o odor do pecado. Quando, em sua peregrinação terrestre, Jesus escolheu os seus discípulos, tirou-os do meio do povo. Diz o evangelista Marcos: “e chamou os que Ele quis...”, pessoas simples e pobres, marcadas, profundamente, pela sua limitação humana. Eram eles: cobradores de impostos, pescadores rudes, analfabetos, entre outros que eram marginalizados pela sociedade em geral. Ninguém acreditava neles nem eles mesmos. Também estes homens, embora convivessem com o Mestre, tocassem suas vestes, ouvissem seus ensinamentos perfeitos, contemplassem os seus milagres extraordinários, também eles erraram no percurso; caíram muitas vezes. Jesus testemunhava a doação e oblação de si mesmo, era chamado o servo dos servos, eles achavam que governariam a terra e quando não era a terra, disputavam o lugar mais próximo do trono do Altíssimo; Jesus ofereceu a cruz como sinal e condição do seu segmento, eles, no entanto, fugiram ao verem o Mestre carregando a sua. O que impressiona na história vocacional destes homens é o fato de que Jesus, perscrutando o seu íntimo, conhecendo-os mais que eles mesmos, continuava acreditando neles, fazendo, desta forma, a perfeita animação vocacional. Depois de ressuscitado, aparece-lhes e confere-lhes o “poder” do Espírito, a autoridade de governar a Igreja e se submete as suas vozes e ações para chegar aos mais necessitados. Jesus os conhecia muito bem. Sabia que eles eram medrosos e covardes. Ele mesmo provara e sentira na pele estas características dos seus seguidores no Monte das Oliveiras e no Calvário. E, aí é que está a beleza: ainda assim, JESUS ACREDITAVA NELES! O vocacionado, ainda que errando no percurso e caindo muitas vezes, é alguém chamado por Deus para levar a Boa Nova do Reino e, portanto, tem uma missão universal e, ao mesmo tempo, única. Seu chamado é divino, é de autoria divina. Deus mesmo o chama, perscruta o seu íntimo e, ainda sim, acredita nele. Um outro aspecto é a presença de Deus em sua vida e a confirmação desta em suas obras e ações realizadas por Jesus e com Jesus. O vocacionado, desta forma, torna-se, apenas, canal da graça de Deus; o “burrinho” que carrega o Mestre e o leva para todos que dele precisarem. Aqueles que são responsáveis pelo acompanhamento vocacional deveriam, a cada dia e instante, almejar a sabedoria de Cristo, bem como sua misericórdia e humildade. A formação dada por Jesus a seus discípulos e esperada por todos os vocacionados, é baseada no AMOR, na MISERICÓRDIA e no PERDÃO. Espera-se dos formadores compreensão em suas atitudes, amor nas suas ações, misericórdia em suas decisões e perdão a cada recomeço. Estas foram as características da formação amorosa e eficaz do Mestre Jesus. O sentido de nossas vidas, não deve ser ofuscado nem sufocado pela formação imprópria e nem abandonado por um erro de percurso. O que seria da Igreja se o Mestre não desse mais uma chance a Pedro, não acreditasse em João, não amasse Mateus?

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